Restauração da estação Georgenswalde: de ruína a hotel boutique

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Em outros tempos, a estação ferroviária de Georgenswalde, na costa do Báltico, recebia veranistas abastados vindos de Königsberg. Os tijolos vermelhos, a mansarda imponente e os toques neobarrocos lhe davam ares de palacete à beira-mar. Já nos anos 2010, restava um cascarão perigoso — marcado por incêndios e vandalismo, pátio tomado pelo mato, janelas estilhaçadas.

Quase ninguém acreditava que esse patrimônio voltaria a respirar. Até que uma família olhou além dos escombros e enxergou potencial.

Do esplendor balnear às décadas de abandono

Erguida entre 1912 e 1913 segundo projeto de Max Schönwald, a estação logo se tornou um dos símbolos mais reconhecíveis da área de veraneio. A arquitetura mesclava Classicismo, Jugendstil e Neobarroco — combinação ousada para o início do século XX.

Depois da Segunda Guerra, o prédio continuou em uso, mas a aparência original foi se diluindo. Nos anos 1990 mal cumpria sua função e, mais tarde, virou moradia. Em 2016 estava vazio, havia resistido a vários incêndios e beirava a perda definitiva.

Algumas vezes por ano, grupos de voluntários tentavam frear a deterioração: recolhiam lixo, cortavam o mato, tapavam buracos. Sem um proprietário, porém, parecia uma batalha desigual.

Não viram ruínas, e sim futuro

A virada começou em outra casa. O empresário Oleg Barmin e a esposa, Ksenia, compraram a antiga residência de um pastor no vilarejo vizinho de Zalivnoye. O cenário era desolador: porão úmido, telhado desabado, terreno engolido pelo mato. Por um tempo, a família dormiu em uma barraca dentro do prédio.

Eles devolveram ao imóvel o aspecto pensado pelos arquitetos um século atrás: limparam as paredes, recuperaram portas, encomendaram janelas de madeira e cobriram o telhado com telhas. A reforma consumiu todas as economias — e outro tanto —, mas o resultado os impulsionou.

Barmin recorda que os amigos estranharam a escolha; enquanto eles viam decadência, o casal via futuro. O êxito dessa primeira restauração acabou virando trampolim para um projeto muito maior.

Um passo ousado: comprar a estação inteira

Em 2022, a estação de Georgenswalde foi a leilão por 10 milhões de rublos. Era pouco para um bem tombado, cifra que escondia dezenas de milhões em custos adicionais. Barmin assumiu o risco e comprou.

Nas redes sociais, ele afirmou que pretendia transformar o prédio no Grand Hotel Vokzal, com uma atmosfera que remete a The Grand Budapest Hotel.

Logo após a compra, a família e voluntários do grupo “Keepers of Ruins” organizaram uma grande limpeza: retiraram entulho, abriram caminho no terreno e isolaram áreas perigosas. Em seguida vieram a conservação e a preparação do projeto de restauro.

Como anda a restauração

Os trabalhos avançam passo a passo. Nos últimos meses, a equipe conseguiu preparar a documentação, reconstruir e concretar as lajes de piso, iniciar a instalação de um novo telhado e recolher as telhas necessárias por toda a região.

A busca pelas telhas acabou se tornando uma pequena vitrine do apoio local.

Em Sovetsk, raras telhas de cumeeira estavam à venda. Ao saber que Barmin restaurava a estação, o vendedor disse que as entregaria sem cobrar. O proprietário observa que relatos assim se repetem: há quem ajude com materiais, mão de obra e aconselhamento.

Quanto custa ressuscitar um marco

Segundo estimativa preliminar de Barmin, a restauração completa exigirá pelo menos 300 milhões de rublos. Isso inclui a recuperação das fachadas, dos sistemas de engenharia e dos interiores, além do paisagismo. O valor assusta, mas o projeto já atrai a atenção de arquitetos, voluntários e moradores. Para muitos, soa menos como uma obra e mais como a tentativa de devolver a memória histórica ao lugar — e é fácil entender por quê.

O que está por vir para a estação

Se o plano se mantiver, a estação se transformará em um hotel boutique com ares da velha Europa. Interiores recuperados, arquitetura preservada e conforto contemporâneo podem fazer do edifício um novo ponto de atração para a região de Kaliningrado.