Polar Owl: a colônia de regime especial onde o tempo para
Conheça a Polar Owl, colônia de regime especial além do Círculo Polar Ártico: rotina dos presos perpétuos, segurança extrema e por que fugir é impossível.
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No mapa, este ponto quase se perde na tundra. Na realidade, é um dos lugares mais fechados do país. A colônia de regime especial Polar Owl, escondida além do Círculo Polar Ártico, é o endereço final para quem a sociedade decidiu que jamais voltará a caminhar em liberdade.
Chegar até aqui é uma travessia que nem todos encaram. Dois dias de trem, a passagem pelo poderoso Ob, depois 50 quilômetros de permafrost sem estradas nem referências — só então surge o assentamento de Kharp. Cerca de 150 moradores. O dobro disso, detentos.
Três zonas — mas uma delas não tem volta
A colônia se divide em três partes:
- regime especial — para quem cumpre prisão perpétua;
- regime severo — para penas longas;
- colônia de assentamento — com condições relativamente mais brandas.
O complexo principal reúne quatro blocos para os condenados à perpétua. Várias fileiras de cercas, alta tensão, câmeras em cada esquina, guardas com fuzis ao longo do perímetro. Não há um único ponto cego fora do alcance de olhos vigilantes.
Uma cela onde o espaço se esgota
A vida se desenrola em quatro metros quadrados pensados para dois. Cama de metal, mesa, pia, vaso — tudo a um passo. A janela fica atrás das grades. Aproximar-se é proibido. De longe, vê-se apenas uma fatia de céu. Falar alto não é permitido — só o sussurro circula. Um detalhe revelador: a maioria dos presos tem ensino superior ou técnico. Muitos tinham empregos comuns, construíam carreiras. Um erro, ou um crime, apagou tudo.
Uma rotina que não admite desvios
O tempo na colônia é organizado de modo a extinguir escolhas e ilusões.
- 06:00 — despertar.
- 06:10 — exercícios.
- 06:30 — chamada.
- 07:00 — café da manhã.
O banho de sol dura cerca de duas horas, num pátio de concreto com uma grade no lugar do teto. O trabalho só é permitido a quem passa dez anos sem uma única infração. O restante lê, escreve cartas, se cala. Vivem dentro do mesmo dia.
Quem cumpre pena na Polar Owl
Ali estão pessoas de que o país inteiro já ouviu falar:
- Alexander Pichushkin — o “maníaco de Bitsevsky”;
- Nurpasha Kulaev — o único participante sobrevivente do ataque de Beslan;
- Denis Evsyukov — ex-major que abriu fogo em um supermercado;
- Dmitry Butorin e Oleg Belkin — líderes do grupo criminoso Orekhovskaya.
Compartilham um destino: suas penas não acabam.
Fugas são impossíveis aqui — e não é por ser difícil sair do prédio
Em toda a história da colônia, não houve uma única fuga. Mesmo que alguém passasse por guardas e cercas, outra realidade apareceria adiante. Cinquenta quilômetros de tundra sem estrada. Frio de –50 a –60 °C. O Ob gelado. Um vazio sem onde se esconder, sem onde descansar. Aqui, a própria natureza vira a muralha.
Livramento: uma chance mais de papel do que de vida real
Por lei, depois de 25 anos os presos podem pedir revisão. Pouquíssimos chegam a ter alguma possibilidade de sair. Conhece-se um caso — Anvar Masalimov. A acusação foi reclassificada. Dois anos depois, ele voltou para trás das grades — por um novo crime.
Por que a prisão não vê violência
Chama a atenção que, na última década, a colônia não tenha registrado uma única briga ou ataque. Os presos entendem que ali não há o que disputar; nenhum conflito muda a situação. A agressividade perde sentido quando a vida vira uma linha fechada e a esperança não existe nem em teoria.
Um ponto onde o tempo deixa de andar
A Polar Owl é mais que uma prisão. É um lugar em que a vida se contrai a quatro paredes e o futuro cai do mapa. Do lado de fora, a tundra fria e interminável. Por dentro, um vazio que nada preenche. Para quem chega aqui, a estrada já não leva a lugar nenhum.