03:14 17-12-2025
Vasyugan: o pântano gigante da Sibéria e seus segredos
Generated by DALL·E
Conheça o Pântano de Vasyugan, na Sibéria Ocidental: sua formação milenar, vestígios arqueológicos, lendas de Belovodye e o papel das turfeiras no clima global.
O Pântano de Vasyugan é um dos recantos menos estudados da Rússia. Esta imensa faixa da Sibéria Ocidental permaneceu de difícil acesso e quase desabitada por séculos; justamente esse silêncio, porém, é o que atiça a curiosidade científica e mantém vivas as lendas.
Um pântano do tamanho de um país
As áreas alagadas de Vasyugan se estendem por quase mil quilômetros, cruzando trechos das regiões de Tomsk, Novosibirsk e Omsk. Abrangem mais de 53 mil quilômetros quadrados — mais do que alguns países europeus. O pântano começou a se formar há cerca de dez mil anos e continua a crescer. Nos últimos cinco séculos, sua área quadruplicou. O relevo e o clima oferecem condições ideais para a turfa se espalhar, devorando aos poucos o entorno. Onde antes havia aldeias, restam prédios vazios, sinais discretos de que ali já houve gente.
Vida em meio ao pântano
Apesar do aparente vazio, pessoas se fixaram ali na Antiguidade. Comunidades associadas às culturas arqueológicas Ust‑Tartas, Odinovo e Krotovo viviam em abrigos semissubterrâneos e dependiam da caça, da criação de animais e da pesca.
Arqueólogos também encontraram as chamadas Máscaras de Vasyugan — peças de bronze usadas em práticas rituais. Pesquisadores consideram que elas ornavam estatuetas que representavam espíritos de parentes falecidos, com ritos destinados a proteger o grupo de parentesco de forças malévolas.
A busca por Belovodye
No início do século XX, os velhos crentes chegaram aos pântanos em busca de um refúgio contra perseguições e de uma vida fiel às suas tradições. Lendas sobre Belovodye, uma terra prometida, os levaram a Vasyuganye. Construíram casas, cultivaram a terra e abriram trilhas pelo brejo. Com o tempo, os povoados desapareceram. Na década de 1980, geólogos já encontravam apenas eremitérios abandonados — vestígios silenciosos de uma vida que se foi.
Pântanos dos exilados
Nos séculos XIX e XX, a região de Narym, cercada por áreas pantanosas, transformou-se em local de exílio. Milhares de revolucionários cumpriram pena ali. Em 1912, também chegou Joseph Dzhugashvili, o futuro Stálin, embora tenha escapado pouco depois. Mais tarde, as autoridades enviaram para lá pessoas rotuladas como kulaks e inimigos do povo. A população cresceu várias vezes — e muitos jamais partiriam.
Um refrigerador natural para o planeta
Os pântanos de Vasyugan têm um papel relevante no sistema climático global. Eles absorvem ativamente o dióxido de carbono e o armazenam por milhares de anos. Para efeito de comparação, a vegetação rasteira retém o carbono por cerca de cinco anos, e a floresta, por algo em torno de um século e meio. Essa capacidade das turfeiras ajuda a resfriar o ar e a atenuar o efeito estufa. Em 2006, a área foi declarada protegida e, em 2017, tornou-se uma reserva natural. Esse status permitiu regular a atividade econômica e limitar o turismo.
Caminhos traiçoeiros
Viajantes experientes dizem que os pântanos raramente perdoam erros. As áreas movediças escondem vazios, e circular ali sem guia é perigoso. Se alguém afunda, o esfagno pode conservar o corpo — sem bactérias decompositoras, a decomposição simplesmente não ocorre. Até agora, não foram encontrados corpos de pântano em Vasyugan — a turfa não é extraída ali —, mas a própria possibilidade reforça a aura de mistério do lugar.
Um território de segredos
O Pântano de Vasyugan continua um enigma — vasto, frio e imponente. Guarda vestígios de culturas antigas, a história dos exilados e as esperanças de quem saiu à procura de um paraíso terrestre. Ali, o passado e a própria paisagem ainda ditam as regras, e o presente anda de mansinho.