07:56 08-12-2025
Catar: do deserto ao boom do petróleo e gás — e o futuro
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Entenda como petróleo e gás mudaram o Catar: de tribos beduínas a arranha-céus, serviços públicos e a National Vision 2030 para diversificar a economia.
Hoje, o Catar é sinônimo de arranha-céus marcantes, hotéis de luxo e um padrão de vida invejável. No entanto, poucas décadas atrás, não havia cidades desenvolvidas nem uma economia estável digna de nota. A virada veio com a descoberta, sob o deserto catariano, de vastas reservas de petróleo e gás.
Antes do petróleo: vida no deserto
Até meados do século XX, o território abrigava sobretudo beduínos — tribos nômades com a vida ligada ao mar e a um punhado de oásis. Pescavam, mergulhavam em busca de pérolas e cultivavam pequenas quantidades de alimentos. O calor escaldante, a água escassa e o solo pouco fértil tornavam a agricultura quase inviável. O país seguia pobre e pouco conhecido.
Quando tudo mudou
O cenário mudou de forma drástica após a descoberta de petróleo, seguida por grandes reservas de gás. Isso desencadeou um crescimento econômico acelerado. Um dos primeiros campos relevantes foi Dukhan, aberto em 1940. Desde então, as exportações de hidrocarbonetos se tornaram a espinha dorsal da economia do Catar: hoje, petróleo e gás respondem por mais de metade da receita e cerca de 85% das exportações. É difícil exagerar a rapidez dessa transformação.
O que isso significou para as pessoas
A receita das exportações de energia financiou uma infraestrutura que antes parecia distante: estradas modernas, hospitais, escolas, moradias e aeroportos. A população passou a ter acesso gratuito à saúde e à educação, e a renda cresceu a ponto de o Catar se juntar ao grupo dos países mais ricos do mundo. O cotidiano mudou não apenas de tamanho, mas de qualidade.
Não sem complicações
Apesar dos avanços, persiste um desafio importante: a economia depende fortemente do petróleo e do gás, cujos preços oscilam de maneira imprevisível. Ao mesmo tempo, o mundo caminha para fontes mais limpas de energia, o que pode reduzir o papel dos recursos tradicionais. Em resposta, o Catar apresentou a sua National Vision 2030, que propõe desenvolver tecnologia, turismo, educação e cultura para tornar a economia mais resiliente.
O que vem pela frente
A receita do petróleo e do gás continua robusta, mas as autoridades a direcionam para universidades, polos de negócios, museus e instalações esportivas. A meta é ser não apenas fornecedor de recursos, e sim um polo de conhecimento, inovação e vida cultural. O caminho é exigente, mas o Catar parece bem posicionado para avançar com confiança — e, pela transformação já vista, essa ambição não soa desmedida.