10:01 29-11-2025

Mulkirigala, Sri Lanka: templos-caverna e história viva

Descubra Mulkirigala, perto de Tangalle: sete templos-caverna budistas, murais seculares e vistas da selva. História de quase 2.000 anos no sul do Sri Lanka.

Pouco para o interior da costa sul do Sri Lanka, escondido na vegetação exuberante perto de Tangalle, ergue-se acima das árvores um penhasco com pouco mais de 200 metros de altura. Em seus patamares repousa o antigo complexo de templos de Mulkirigala — um dos mosteiros budistas mais antigos da região, com quase dois milênios de história. Apesar da idade, continua entre os lugares mais envolventes e cheios de atmosfera do sul, e é fácil entender por que prende a atenção de quem chega.

A rocha que abriga os templos

Para alcançar os santuários, os visitantes sobem mais de 500 degraus, passando por terraços, cavernas, pórticos entalhados e estátuas marcadas pelo tempo. Sete templos-caverna foram escavados na rocha, cada um com sua própria narrativa. No interior, há imagens do Buda — sentado, de pé e reclinado —, enquanto as paredes exibem pinturas seculares que atravessaram os séculos com uma nitidez surpreendente.

Do topo, abrem-se vistas amplas sobre a selva. O silêncio e a altura criam a sensação de que o tempo corre em outro compasso; é difícil não sentir que o lugar abranda o ritmo de quem o visita.

Quase 2.000 anos de história

Historiadores apontam que o mosteiro surgiu no século III d.C., durante o reinado do rei Saddhatissa. Ao longo dos séculos, o conjunto foi reconstruído, ganhou novas câmaras e recebeu afrescos. As mudanças mais visíveis ocorreram sob os reis de Kandy, período em que artes e ofícios floresceram por todo o Sri Lanka.

Hoje, Mulkirigala é oficialmente reconhecida como monumento de importância nacional. Peregrinos e viajantes vêm para testemunhar uma história que ainda parece viva — e, ali, essa vitalidade transparece sem esforço.

O que espera lá dentro

O principal tesouro do complexo são os murais, que ilustram episódios da vida do Buda e de suas encarnações anteriores. Foram criados no estilo tradicional do Sri Lanka: linhas intrincadas e tonalidades ricas que, embora desbotadas, continuam bem definidas.

Além dos afrescos, as cavernas preservam colunas de madeira, arcadas entalhadas, portas antigas e estátuas. A atmosfera sugere como poderiam ser os interiores monásticos séculos atrás: íntimos, mais do que grandiosos, um espaço pensado para recolhimento.

Por que a subida vale a pena

Apesar da história profunda, Mulkirigala recebe menos visitantes do que a famosa Sigiriya. A ausência de multidões faz parte do encanto: fica mais fácil perceber o sossego do lugar e o ritmo cadenciado da vida monástica — e isso faz diferença.

A viagem a partir de Tangalle leva cerca de meia hora. A escadaria exige fôlego, mas há patamares de descanso, e a vista do alto compensa, com folga, o esforço.

Cativante mesmo para quem não está viajando

O complexo atrai para além do círculo de viajantes frequentes. Admiradores de história, cultura e budismo encontram aqui o essencial: murais antigos, santuários talhados na rocha, vestígios de tradições duradouras.

É um caso raro de natureza e arquitetura em compasso: a rocha não é apenas a base, mas parte do próprio templo — uma verdade que se revela em cada detalhe.